O chão deste lugar é o centro da cidade, o seu lugar gravítico, o ponto destinado ao encontro entre quem oferece e quem procura. É um solo fértil na sua densidade de uso, de cheiros e sons, de produtos e de comerciantes e compradores. É o ambiente do mercado, ao nível do piso térreo.
O pavimento do mercado, estende-se para além dos seus limites interiores, requalificando os espaços exteriores adjacentes ao mercado, como o “chão da cidade”, num todo que formaliza a continuidade formal e funcional que se pretende com a envolvente imediata. A modelação proposta oferece continuidade (visual, física e sensorial) com as pracetas e com as galerias existentes sob o edificado. O solo agrícola, na cobertura do novo mercado, é o lugar de origem dos produtos que são levados para o mercado. A distância entre um e outro é cada vez mais longínqua, mais universal, tornando os produtos menos acessíveis e por isso mais caros.
Complementarmente às hortícolas, ocorrem as aromáticas, medicinais e especiarias que cativam os polinizadores e potenciam a realização de atividades pedagógicas (workshops, oficinas de desenho, velas e sabonetes ecológicos, etc.). O espaço livre no varandim interior permite ainda ações de sensibilização para redução do desperdício alimentar e para a cidade ou como cenário para concertos e outras experiências para os sentidos.
A opção para a cobertura do mercado procura ainda enriquecer o sistema de vistas que, a partir dos edifícios existentes, a domina.
Construção sustentável e passiva, materiais de emissão carbónica zero: Betão “verdi zero” (tipo Secil), Madeira (CLT e GLT) compensam e mitigam o uso do vidro e do aço inox; ventilação cruzada e a quase ausência de sistemas ativos.
Concurso Mercado dos Olivais, Lisboa
Local
Olivais
cliente
Concurso público
coordenação projecto
Pedro Ravara
arquitectura
Patrícia Matias
Pedro Ravara
Mariana Paiva
Catarina Caldeira
Adélcia Brito
Maria Beatriz Cabaço
data
2024